porque a cada passo dado,
devagar e com sentir
se constrói um castelo
para tudo o que há-de vir...
são belas as flores
que se cheiram,
e os pássaros
que enamorados
esvoaçam
nas suas ameias...
Tanto se passou desde a revolução de 25 de Abril e parece-me que a maior lição que daí devemos retirar é que ainda se encontra longe de ter sido concluída, pois se não cultivarmos a liberdade, a verdadeira liberdade, educando e ajudando os nossos jovens a desenvolver um sentido crítico, cívico e moral apontando para todo um futuro incerto e de desafios, facilmente nos manteremos numa liberdade efémera e camuflada pelas letras dos mais sinuosos defensores de regimes nada humanitários e rapidamente voltaremos a novas formas ditatoriais.
Nem sempre aquilo que parece é, ou o que não parece, definitivamente não o é. Vivemos a vida, dia após dia, com a certeza do caminho que queremos seguir, usando lemas cliché do "por aí sei que não vou", mas ficamos muitas vezes atolados na hipótese de mesmo assim ter errado o caminho e que qualquer um dos infinitos outros seria opção válida, mesmo aquele por que não fomos...mas o simples facto de ter optado não é válido, não é por si só uma opção? Se assim não fosse tanta seria a demagogia com a ideia de aprender com o erros e passos dados, com a construção de uma/várias realidades paralelas aos nossos ideais. A realidade constrói-se, seja ela qual for, da mesma forma que definimos cada átomo da nossa existência.

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permaneço imóvel