A cada passo do nosso caminho tomamos decisões e fazemos opções que definem o nosso eu individual e colectivo no futuro. Como nos fenómenos deterministas, uma causa irá gerar um efeito que por sua vez será nova causa de novo efeito (...), acabamos por criar a nossa realidade, a nossa dimensão. Então, conseguiremos nós olhar para trás e definir o ponto exacto onde gostaríamos de voltar, para experimentar outra realidade, com base noutras opções ou novas decisões? Este exercício do
"se.." deveria ser feito vezes sem conta... e quando assim é tornar-se num pequeno segredo que possuímos... condição
sine qua non para conseguir dar sentido às nossas vidas!
No entanto, é com a consciência que, como no "efeito borboleta" que cria uma tempestade do outro lado do planeta com um bater de asas aqui ao nosso lado, ao alterarmos um pequeno pedaço de história alteramos a nossa memória, o nosso tempo, o nosso olhar, toda a nossa existência individual e colectiva...então nessa altura, nada do que é será e mais uma vez iremos olhar para trás e procurar um novo momento, um novo bater de asas...
um anjo negro bateu as asas...
tentou voar enquanto pôde
doce dor que te persegue
num turbilhão de sonhos em apneia!
em cada treva, manchada de sangue,
por ele foi tentada, na marcha da vitória
e por ele perdida na memória.
agora resta o sufoco
que aperta o peito
que lança o corpo
e que em frente caminha.
o futuro não vem lá,
está já aí, e com ele vive
passo a passo olhando em compasso
para cada passo dado...
e se o anjo não tem asas (?),
a vida repassa
nada semeia e nada compensa...
de sonhos vivemos a vida
nas asas de uma borboleta